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Sexta-feira, 27 de maio de 2022

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Protetores naturais dos rios, ribeirinhos buscam agroextrativismo sustentável na região do Vale do Araguaia

Foto: Reprodução / Programa REM MT

Protetores naturais dos rios, ribeirinhos buscam agroextrativismo sustentável na região do Vale do Araguaia
A Comunidade Ribeirinhos do Araguaia, localizada na região de Cocalinho (850 km de Cuiabá), com o apoio do Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (CEDAC), está se capacitando para a prática do agroextrativismo sustentável, agroecológico e orgânico às margens do Rio Araguaia. O CEDAC, que é apoiado pelo Programa REM Mato Grosso, promove cadeias socioprodutivas em rede no interior do estado, a partir do uso sustentável da terra e da conservação do Cerrado.

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De acordo com a assessoria do Programa REM Mato Grosso, os ribeirinhos tinham o desejo de produzir, porém, precisavam de insumos, técnicas e recursos que não estavam disponíveis. A parceria feita com o CEDAC surgiu dessa necessidade. 

Alessandra Karla da Silva, coordenadora geral do CEDAC, detalha que a integração de culturas se dará por meio da plantação de mudas de Baru e Jatobá, pois além de gerar mais economia aos ribeirinhos - por meio da comercialização de seus frutos - a prática também irá garantir a manutenção das pastagens.

"O extrativismo entra como atividade complementar. Para isso, eles já fizeram uma capacitação sobre como manejar essas espécies [Baru e Jatobá] de maneira sustentável", destaca Alessandra. 

Para João Paulo Franco dos Santos, técnico de campo do CEDAC, o Rio Araguaia é de vital importância para a sobrevivência da comunidade e o projeto pode ajudar na mitigação dos impactos ambientais que ocorrem na região. 

"É do rio que essas famílias tiram o sustento. Além da pecuária, elas também vivem da pesca e do turismo. Então, buscar ações para preservá-lo é extremamente importante para a comunidade, bem como para o equilíbrio ambiental da região. Inclusive, as famílias ribeirinhas já notaram que o nível do rio está mais baixo, graças ao assoreamento causado pela agricultura extensiva", defende Paulo, que é engenheiro agrônomo e trabalha diretamente com os ribeirinhos do Araguaia.

Do plantio à venda

Ainda conforme o Programa REM MT, além de receberem a capacitação em práticas sustentáveis, o projeto também prevê fases em que os ribeirinhos terão acesso a certificação de produtos agroecológicos e a venda dos mesmos para diferentes compradores, em níveis regional, nacional e internacional. 

"A Comunidade Ribeirinhos do Araguaia tem muito potencial para a produção de produtos sustentáveis, porém pouco acesso ao comércio. Por isso, o objetivo do nosso projeto também é dar vazão a esses produtos do agroextrativismo, na medida em que as famílias são capacitadas e inseridas numa grande rede de comercialização coletiva", explica Alessandra.

Ela ainda acrescenta que o objetivo final é que os ribeirinhos do Araguaia sejam inseridos na Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros, Assentados e Guias Turísticos do Cerrado (CoopCerrado). A organização, há quase duas décadas, comercializa mais de 100 produtos oriundos do Cerrado de maneira orgânica e sustentável.  

Sobre o CEDAC

Além dos ribeirinhos do Araguaia, o projeto do CEDAC irá beneficiar mais de 150 famílias da região Nordeste de Mato Grosso, com assistência técnica para o agroextrativismo sustentável, agroecológico e orgânico. Esse projeto foi contemplado em meados de 2020 pelo edital de financiamento de projetos do Programa REM Mato Grosso, dentro do Subprograma Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais (AFPCTs/REM MT). 

Investimentos

O Programa REM MT investe cerca de R$ 1,5 milhão no setor de agroextrativismo do CEDAC. Por conta da pandemia, que suspendeu boa parte das atividades de campo, o projeto só começou a ser implantado efetivamente a partir de janeiro deste ano. O REM MT é uma premiação financeira que Mato Grosso recebeu dos governos da Alemanha e do Reino Unido pelos bons resultados no combate ao desmatamento florestal.
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