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Sábado, 25 de novembro de 2017

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Diante operação da PF, Taques defende qualidade da carne produzida em Mato Grosso

Da Redação - Viviane Petroli

20 Mar 2017 - 08:12

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Diante operação da PF, Taques defende qualidade da carne produzida em Mato Grosso
Apesar de não ser alvo da operação da Polícia Federal "Carne Fraca", Mato Grosso pode ser prejudicado caso algum país importador de proteína animal venha a restringir os embarques. O governador Pedro Taques afirmou neste final de semana lamentar a situação e que apoia toda a investigação que está sendo realizada. O chefe do Executivo salienta que o Estado tem trabalhado para garantir a qualidade da carne mato-grossense.
 
Detentor do maior rebanho comercial do Brasil, com mais de 30 milhões de cabeças de gado, Mato Grosso possui 40 frigoríficos de carne bovina com Selo de Inspeção Federal (SIF), dos quais metade estão em operação e o restante desativados.
 
Leia mais:
Possível restrição às carnes significaria uma grande crise ao Brasil, afirma Maggi diante 'Carne Fraca'

Na noite deste domingo, 19 de março, o governador Pedro Taques afirmou que o Estado tem trabalhado para garantir a qualidade da carne de Mato Grosso. Ele lembrou que nenhum frigorífico situado no Estado está envolvido nas investigações da Polícia Federal.

"Dos mais de 4 mil frigoríficos que nós temos no Brasil 0,3% estão envolvidos na investigação e nenhum desses é do Estado de Mato Grosso. O que mostra , o trabalho que nós viemos trazendo para defesa sanitária animal e também vegetal", declarou Taques.
 
Na última sexta-feira, 17 de março, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) realizou uma reunião emergencial junto com representantes do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT) e do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) para discutir a questão e evitar que Mato Grosso venha ser prejudicado quanto a um possível embargo.
 
Na avaliação de Taques, a operação da Polícia Federal deflagrada na sexta-feira, 17, com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio, pode em curto prazo prejudicar o mercado da carne do Estado. Contudo, tais impactos deverão ser minimizados, segundo o chefe do Executivo, visto Mato Grosso ser o único estado a possuir um Instituto da Carne no país.
 
"O Instituto Mato-grossense da carne - IMAC - é o sexto a ser criado no mundo, ele trata da rastreabilidade , da certificação do nosso gado bovino. Não é por acaso que o Carrefour, uma grande rede de supermercado, vai comprar carne de Mato Grosso", diz Taques.
 
Uma reunião nesta segunda-feira, 20 de março, está prevista para ocorrer entre o Governo de Mato Grosso e representantes da cadeia produtiva. O objetivo é discutir a repercussão da operação Carne Fraca.
 
Para Pedro Taques, é necessário que haja um esclarecimento ao cidadão consumidor. "Nós temos que dizer ao cidadão consumidor que é preciso ficar atento mas, não caia em informação desencontrada. O nosso gado é de boa procedência e os nossos frigoríficos estão fora desta lista e vamos continuar conquistando mercados e dando qualidade e segurança para o cidadão consumidor".
 
Reunião em Brasília
 
Neste domingo, 19, o presidente Michel Temer e o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, estiveram reunidos com 40 embaixadores de países importadores de carne brasileira. Após o encontro, Blairo Maggi e o secretário-geral das Relações Exteriores, o embaixador Marcos Galvão, ressaltaram que, apesar de toda a repercussão e os pedidos de esclarecimentos de países como Estados Unidos, da União Europeia e da China, até o momento o Governo Federal não recebeu nenhum documento relatando embargo às carnes brasileiras.
 
Maggi salientou ainda que das 21 empresas citadas pela operação "Carne Fraca" três seguem interditadas e que será trabalhado para que as mesmas voltem as suas atividades. As demais 18 empresas entrarão em regime especial de fiscalização, de onde, segundo o ministro da Agricultura, a mercadoria só saíra com a presença de um fiscal do Ministério.
 
O ministro Blairo Maggi observou que durante a reunião na tarde de domingo com os embaixadores disse que "a transparência é o melhor remédio nessa hora".
 
“Tenho preocupação. O Brasil é um grande exportador. Temos 7% do mercado. A restrição significa uma grande crise no país. Estamos trabalhando o governo como um todo para revolver isso”, afirmou o ministro.
 
A operação
 
A operação da Polícia Federal denominada "Carne Fraca" foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, 17 de março, em sete Estados (São Paulo, Distrito Federal, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás), com o objetivo de desarticular organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.
 
A operação é considerada a maior já desarticulada pela Polícia Federa. Estão envolvidos na ação aproximadamente 1100 policiais federais no cumprimento de 309 mandados judiciais, sendo 27 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 de condução coercitiva e 194 de busca e apreensão, em residências e locais de trabalho dos investigados e em empresas supostamente ligadas ao grupo criminoso.
 
As ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara da Justiça Federal de Curitiba (PR). Gravações telefônicas divulgadas obtidas pela Polícia Federal e divulgadas nesta sexta-feira, 17 de março, apontam que vários frigoríficos nos Estados investigados comercializavam carne estragada tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo.
 
Em torno de 30 empresas frigoríficas estão envolvidas na operação "Carne Fraca". Entre as empresas, segundo documentos divulgados pela Polícia Federal, estão a BRF, que controla as marcas Sadia e Perdigão, e a JBS, além de frigoríficos pequenos das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
 
De acordo com a Polícia Federal, agentes públicos utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização efetiva.
 
As investigações ocorreram durante dois anos e dentre as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de agentes públicos, com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos empresariais. Conforme a Polícia Federal, tal conduta dos agentes públicos permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação vigente.

3 comentários

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  • Cuiabano porreta
    21 Mar 2017 às 07:21

    so esta faltando o senhor ir com seus aspones para um rodizio no boi grill...

  • Antônio
    20 Mar 2017 às 10:24

    Vetado por conter expressões ofensivas e/ou impróprias, denúncias sem provas e/ou de cunho pessoal ou por atingir a imagem de terceiros. Queira por favor refazer seu comentário e reenviá-lo.

  • maria
    20 Mar 2017 às 09:13

    Ainda bem que não atingiu Mato Grosso. Colocar papelão, produtos químicos, carne de cabeça de porco em linguiça de porco, negócios de milhões que pode afetar a economia do país! Gente com miolo de macaco!

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