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GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Testemunhas deixam sem explicação operação que 'grampeou' ex-assessoras da Casa Civil

27 Mar 2018 - 08:58

Da Redação - Paulo Victor Fanaia Teixeira

Foto: Rogério Florentino/OlharDireto

Delegada Alana Cardoso

Delegada Alana Cardoso

Operação, pasta ou força-tarefa? Ninguém sabe ao certo o que foi a “Operação Pequi”, mesmo assim, ela é hoje o centro da polêmica “Grampolândia Pantaneira”. Na tarde desta terça-feira (26), mesmo após oitivas da juíza Selma Rosane Arruda e da delegada Alana Darlene Cardoso, a dúvida segue. Segundo Alana, “Pequi zelava” pelos dados de alguns cidadãos interceptados pelas Operações “Querubim e FORTI”. Os critérios e os motivos para o tratamento especial, entretanto, não foram esclarecidos.

A delegada, porém, dá pistas e admite: foi responsável pelo pedido de interceptação às assessoras da Casa Civil Caroline e Tatiana Sangali. Reveja o que ocorreu na audiência de ontem, na 11ª Vara Crimina Militar, no Fórum de Cuiabá.

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Antes de iniciar a oitiva, a delegada ainda solicitou, por meio de sua defesa, que não participasse do ato. Requerimento que foi rejeitado pela maioria do Conselho de Sentença Militar. Constrangida, a delegada apresentou-se à audiência.

Sobre a “Operação Pequi”, adiantou conversa: "Não houve operação paralela, nem pasta. Fui eu que fiz, atitude minha, conduta minha". O intuito seria direcionar apenas a alguns analistas determinados números telefônicos. Por qual motivo? Não pôde responder. A mando de quem? Silêncio.

Explica, porém que, quando uma operação é implantada no “Sistema Guardião”, todos os analistas têm acesso a todos os números. "Por questão de cuidado e zelo", isso não poderia ocorrer na “Operação FORTI” e “Querubim”. Alguns números deveriam ser preservados”; "por questão de cuidado e zelo”.

A explicação frustrou, evidentemente, as bancas de defesa dos militares réus da “Grampolândia”. Em especial à de cabo Gerson Corrêa Júnior, que sustentará a tese da “Árvore Envenenada”, ou seja, de que provas ilícitas estão sendo usadas no processo, contaminando as provas subseqüentes, com efeito, a ação penal como um todo, gerando a nulidade do processo.

Se faltou material para anular a ação penal, sobrou pulga para as orelhas do Ministério Público Estadual (MPE). A delegada admitiu que ouviu alguns dos grampos à cidadã Tatiana Sangali, durante as investigações.

Sobre quem mais tinha acesso aos áudios de Caroline e Tatiana Sangali, a testemunha pediu, novamente, silêncio. Como em todas as explicações anteriores, ela afirma ser investigada na “Operação Esdras”, que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que, portanto, tem o direito constitucional de não produzir provas contra si.

Rafael Meneguine, que atuou com Alana Cardozo nas investigações, trouxe pistas, mas não matou a charada. Disse que o objeto de investigação à Tatiana e Caroline não era o mesmo que os números da “Operação Pequi”. Não soube explicar, entretanto, qual o vinculo entre eles.
 
Para a testemunha, o termo correto para designar a “Pequi” seja “compartimentação da Operação FORTI”. Nela, constavam cinco números de telefone, supostamente de bandidos que atuavam em um baile funk mantido por organização criminosa. Nesse meio, estavam os telefones de Tatiana e Caroline. Todos os analistas sabiam da “Pequi”, mas ninguém fazia idéia do teor da investigação.
 
Ouvida naquela tarde, a juíza da Sétima Vara Criminal, Selma Rosane Arruda, também não soube ao certo explicar o que seria a “Operação Pequi”. Afirma que ela não ocorreu e que só tomou conhecimento pela imprensa. Teria sido uma pasta criada no “Sistema Guardião” para abrigar conversas que não se referiam à Operação FORTI.

À magistrada, a FORTI apresentava relatório de inteligência que listava pedidos de prorrogação nas escutas telefônicas. No relatório individual da delegada Alana, estavam os dois números, fora do relatório de inteligência. "Deferi os números que estavam na representação policial e então entraram os números dessas mulheres (assessoras da Casa Civil)”.

Se falta afirmações suficientes para esclarecer a “Pequi”, resta a sugestão. A juíza crê que a Corregedoria da PJC deva ter tomado alguma providência quanto à Operação Pequi, pois para ela parece claro se tratar de “barriga de aluguel”. Fica a dúvida.
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