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Domingo, 15 de dezembro de 2019

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Sem poder trabalhar, mulher que teve perna esmagada por ônibus luta na Justiça por pensão

Da Redação - Vinicius Mendes

28 Out 2019 - 10:41

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Sem poder trabalhar, mulher que teve perna esmagada por ônibus luta na Justiça por pensão
Giovannia Flores Monteiro, 35 anos, que teve sua perna esmagada por um ônibus da empresa União Transporte em um acidente em setembro de 2017, tem lutado na Justiça para conseguir uma pensão. Sem conseguir trabalhar, com um laudo que comprova isso, ela entrou com ações no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e também na Justiça Federal de Mato Grosso. No entanto, ainda não conseguiu garantir um benefício de aposentadoria por invalidez ou pensão alimentícia. Na Justiça Federal, inclusive, já perdeu uma ação.
 
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O acidente ocorreu no dia 22 de setembro de 2017. Ela e uma amiga seguiam de moto para irem trabalhar. Porém, enquanto estavam na região do Bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, a corrente do veículo travou e as duas caíram ao chão.
 
A condutora levantou rapidamente e tirou a moto de cima de Giovannia. No entanto, quando retornava para tirar a amiga do meio da rua, um ônibus da empresa União Transporte passou por cima das duas pernas de Giovannia e a quebrou em vários pedaços.
 
Ela teve a recomendação de amputação dada pelo Hospital Metropolitano, mas por conta do atendimento na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, a mutilação não aconteceu e hoje ela consegue caminhar com auxílio de muletas. Porém, as sequelas do acidente a impediram de continuar trabalhando.
 
Giovannia buscou a Justiça na tentativa de garantir seus direitos. Ela entrou com ações nas 3ª e 4ª Varas Cíveis de Várzea Grande e também na 3ª Vara Especializada de Família e Sucessões, em busca de pensão alimentícia. No entanto, ainda não obteve o benefício.
 
Ela também entrou com uma ação na 6ª Vara Federal de Cuiabá, para a concessão do benefício de auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
 
Nos autos a juíza federal Juliana Maria da Paixão Araújo analisou um laudo pericial realizado. O perito relatou que em decorrência do acidente Giovannia teve “fratura exposta de fêmur direito, tíbia direita e lesão extensa de partes moles em membro inferior esquerdo”.
 
O perito atestou que Giovannia, que trabalhava como auxiliar de cozinha, estava totalmente incapacitada a atividade laboral habitual, porém, temporariamente, devendo se submeter a nova perícia em um ano. Em uma decisão do último dia 9 de outubro, a magistrada, porém, entendeu que o benefício não é cabível.
 
“Embora o perito tenha concluído que a autora possui incapacidade total e temporária, não é cabível, no caso, a concessão de auxílio-doença ou de aposentadoria por invalidez, tendo em vista que não restou comprovado o requisito relativo à qualidade de segurada”.
 
Ela disse que verificou no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) que o último vínculo empregatício de Giovannia foi entre abril e maio de 2016, “de modo que o seu período de graça se estendeu até 15/07/2017”
 
“Assim, considerando que a data do início da incapacidade foi fixada em setembro de 2017, a autora não mais ostentaria qualidade de segurada na DII. No caso, o preenchimento desse requisito dependeria da comprovação da situação de desemprego da autora, a fim de que se pudesse estender o período de graça”, justificou.
 
Giovannia explicou que desde este último trabalho não mais conseguiu emprego formal, mas que estava à procura, pois tem um filho para criar. Disse também que ia com frequência ao Sine deixar currículo e ia também a restaurantes buscar emprego.
 
Uma testemunha endossou o que Giovannia disse, e afirmou que a mulher morava com a mãe, com seus três filhos, e que era a dona da casa quem sustentava a família vendendo bolos e pães. Apesar disso a juíza se manteve irredutível e julgou improcedente a ação.
 
“Ademais, a autora não se desincumbiu do ônus de demonstrar a existência de situação de desemprego involuntário logo após o término do vínculo empregatício. [...]Além disso, a prova oral não foi suficiente para formar a convicção deste Juízo quanto à existência de situação de desemprego involuntário. Com essas considerações, não restou comprovada, em audiência, a situação de desemprego involuntário da autora (em relação ao seu último vínculo) que justifique a extensão do período de graça”, determinou.
 
Giovannia, no entanto, ainda tem esperanças de obter ajuda. Ela é dependente de remédios para controle de ansiedade e além disso, enfrenta problemas de moradia. Ela mora na Vila Pirineu, em Várzea Grande. Quem tiver interesse em ajudar pode entrar em contato através do seguinte telefone: 65 99280-6614.

4 comentários

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  • Vinicius de Carvalho
    28 Out 2019 às 21:22

    Não contribuiu o tempo mínimo para INSS, não faz jus ao benefício. Juíza corretíssima.

  • paulo roberto
    28 Out 2019 às 20:24

    Carol Maia voçe e a magistrada são insesivel e arrogantes, achar um pessoa com as pernas naquele estado tá fingindo que tem problema......Otária!

  • Karol Maia
    28 Out 2019 às 14:09

    Brasileiro gosta de fazer cara de coitadinho. Existem pessoas cadeirantes que trabalham com orgulho.

  • DHIENNYS DE SOUZA OLIVEIRA
    28 Out 2019 às 13:56

    Se fosse um politico, já teria conseguido uma bela de uma aposentadoria e com todos os benefícios possíveis, isso é Brasil.

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