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Defensoria Pública busca na Justiça vaga para Idoso que sofreu AVC há seis dias

Da Redação - Arthur Santos da Silva

01 Nov 2019 - 16:38

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Defensoria Pública busca na Justiça vaga para Idoso que sofreu AVC há seis dias
Dois pacientes em estado grave, um idoso de 60 anos e um jovem de 28, aguardam vagas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) internados no Hospital Regional de Alta Floresta (791 km de Cuiabá). Ambos sofreram acidentes vasculares cerebrais e as famílias buscaram auxílio da Defensoria Pública de Mato Grosso, para evitar que morram sem atendimento. O órgão protocolou ações na Justiça e aguarda as decisões.

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Adelino Luiz Tibola, 60 anos, morador da zona rural da cidade é quem está em situação mais grave. Ele aguarda, há seis dias, decisão para ser levado para a UTI do hospital privado da cidade, pois segundo os médicos, ele não tem condições físicas para fazer uma viagem e ocupar uma vaga do Sistema Único de Saúde (SUS).

O defensor público da comarca de Vera, Vinícius Hernandez, que atende por designação casos de saúde da região, explica que o caso do idoso é o mais delicado, pois ele não resiste a uma transferência, terrestre ou aérea, para outro município.

“Apresentamos pedido de UTI urgente para o paciente, explicando que na cidade há uma UTI privada e solicitando que ele fosse encaminhado para lá. Mas na quinta-feira (30) o juiz da 1ª Vara Especializada de Fazenda Pública concedeu uma liminar para que o Estado fizesse a transferência do senhor Adelino para uma vaga do SUS. Eles tentaram fazer isso ontem, mas os médicos avaliaram que se a viagem continuasse, ele não resistiria”, explicou.

O reforço da solicitação do bloqueio de bens do Estado, para garantir atendimento de saúde para o idoso em Alta Floresta, foi feito ontem e os defensores que atuam no caso, aguardam nova avaliação do juiz. O hospital privado da cidade cobra R$ 20 mil o valor da diária para internação em sua UTI.

“A situação da oferta de saúde pública para os moradores do extremo Norte de Mato Grosso é de calamidade pública. Qualquer pessoa que precise de atendimento médico especializado, público, na região, ou consegue sair de lá ou morre. Esse é o triste cenário do local. Até ter estrutura adequada, esse não será o primeiro e nem o último caso”, avalia o defensor.

Justiça 

Hernandez ainda explica que desde setembro de 2019, todos os processos de solicitação de saúde pela Justiça são avaliados por uma única vara, a 1ª Especializada de Fazenda Pública, em Várzea Grande. A mudança dificultaria em muito o trabalho.

“Hoje temos um único juiz para atender 100% das ações que antes, tramitavam em várias comarcas do Estado. Isso dificulta ainda mais o já complicado acesso ao direito de saúde para os moradores do interior de um estado tão grande como Mato Grosso”.

Avaliação médica 

O idoso foi diagnosticado com acidente vascular cerebral isquêmico, em grande área do lado direito do cérebro, depois de apesentar mal súbito, em casa. No Hospital Regional o paciente chegou a ser submetido a um procedimento cirúrgico, mas os médicos indicaram a necessidade de transferência para UTI, com acompanhamento de neurocirurgião.

Além do problema que levou Adelino para o hospital, ele é diagnosticado com cardiopatia e hipertensão, entre outros problemas, desde 2013. “Embora o paciente tenha passado por cirurgia no hospital, ele precisa de atendimento especializado, em UTI, de forma urgente, medicamentos, especialistas e tratamento. Onde ele está não há estrutura e ele não pode ser transferido para outro município devido à instabilidade hemodinâmica”, cita trecho da ação inicial movida pelo defensor de Alta Floresta, Túlio Ponte.

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