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Sexta-feira, 16 de abril de 2021

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primeira declaração

Silval planejou 'vingança ardilosa' e Taques usou 'mente raivosa' para afastamento, diz Antonio Joaquim

Da Redação - Arthur Santos da Silva

23 Fev 2021 - 09:02

Foto: Reprodução

Trecho da sessão transmitida pelo YouTube

Trecho da sessão transmitida pelo YouTube

O retorno de Antonio Joaquim ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas (TCE-MT) em sessão desta terça-feira (23) reavivou polêmicas relacionados ao nome de dois ex-governadores. Segundo o membro da corte, Silval Barbosa planejou uma “vingança ardilosa” e Pedro Taques usou de sua “mente raivosa” para se livrar de um possível adversário político. Pedro Taques nega interferência e diz que processa Antonio Joaquim pelas acusações (leia ao final). 

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“Estou me debatendo com dois sentimentos distintos. O primeiro de alívio, por ter recebido a notícia de que a Justiça começa a ser restaurado. O segundo, não é tão bom, há um certo sentimento de revolta”, salientou o conselheiro.
 
O sentimento de revolta revelado por Antonio Joaquim se divide entre atos de Silval Barbosa e Pedro Taques. O primeiro, conforme o conselheiro, descontou mágoas por sua suposta atuação sempre vigilante no Tribunal de Contas.
 
 “Ao longo desses mais de três anos, fui vítima de uma rancorosa trama. De um lado pesou a vingança ardilosa do ex-governador Silval Barbosa contra a minha atuação sempre vigilante”, argumentou Joaquim.
 
Pedro Taques, por sai vez, teria se associados a ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot. “De outro lado, pesou a mente raivosa do então governador Pedro Taques, que em conluio com o ex-colega Rodrigo Janot, não mediu consequências para livrar-se de um possível adversário ao governo”.
 
“Janot atendeu ao seu amigo Taques e pesou a mão ao pedir os meus dois afastamentos e dos outros colegas. A cronologia dos acontecimentos reforça essa convicção. A de que fui alvo de extrema violência”.
 
Retorno
 
Inicialmente o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou medida cautelar que determinava afastamento de conselheiros do TCE. Decisão do ministro Raúl Araújo foi assinada na quinta-feira (18). 

Conforme apurado pela reportagem, o conselheiro Antônio Joaquim tinha mais um afastamento, que se encontrava na 5ª Vara Federal de Mato Grosso. A investigação se refere à venda de uma fazenda de Antônio Joaquim para o ex-governador Silval Barbosa e ao empresário Wanderley Fachetti Torres, dono da Trimec Construções.

Porém, a defesa de Joaquim solicitou que a medida em MT também fosse revogada. Decisão foi estabelecida pelo juízo da 5ª Vara Federal Criminal em Mato Grosso.
Os membros do TCE são investigados pela suposta prática de corrupção passiva no exercício da função pública. A imputação da prática do crime de corrupção passiva se deu em razão de fatos ocorridos em 2014, com o suposto pagamento de propina na aprovação de obras públicas de interesse do Executivo Estadual.
 
Taques
 
Taques afirmou ao Olhar Jurídico que Janot nunca foi seu amigo. A prova disso seria que, na mesma delação do Silval, Janot, “sem qualquer prova”, também lhe investigou, fato já arquivado pelo Supremo Tribunal Federal. “Já processo o senhor Antônio Joaquim em razão das ofensas à minha honra”, complementou.
 
“Como advogado, entendo que delação, sem prova, só serve para antecipar, de forma inconstitucional, a condenação, que não existirá, justamente por falta dessas provas, inclusive já fui vítima disso; como ser humano, entendo o sentimento desse cidadão; mas, nem por isso, o acusei de absolutamente nada; essa é a nossa diferença, e a justiça mostrará”, finalizou.

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