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Sábado, 18 de maio de 2024

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produtores de soja e algodão

Juíza concede recuperação judicial aos Martelli, grupo familiar do agro com dívidas de R$244 milhões

Foto: Assessoria

Juíza concede recuperação judicial aos Martelli, grupo familiar do agro com dívidas de R$244 milhões
A juíza Anglisey Solivan de Oliveira, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, deferiu o pedido de recuperação judicial feito pelos Martelli, família de produtores de soja, milho e algodão em Mato Grosso que declarou à Justiça dívidas de R$244 milhões. Decisão foi proferida nesta sexta-feira (15).


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Com a concessão do pedido, a magistrada suspendeu pelo prazo de 180 dias as execuções promovidas contra o grupo familiar, que deverá apresentar um único plano de recuperação, observando-se as exigências contidas nos artigos 53, sob pena de falência.
 
“Diante do exposto, defiro o processamento da presente recuperação judicial, ajuizada por Altivir José Martelli, André Luiz Martelli, Willian Paulo Martelli e Martelli Agroindustrial LTDA”, proferiu a magistrada.

O grupo familiar acionou a justiça no início de dezembro alegando que sua crise começou após três quebras de safras causadas por questões climáticas e doenças que acometeram as lavouras de soja.

Com três mil hectares de terras próprias e mais 2,8 mil hectares de terras arrendadas para cultivar soja, milho e algodão, o grupo familiar visa se restabelecer economicamente e a juíza Anglizey Solivan de Oliveira nomeou para realização da verificação prévia, a empresa FAF Administração Judicial e Consultoria.

No pedido, a família composta pelo produtor rural Altivir José Martelli e seus filhos Willian Paulo Martelli e André Luiz Martelli, que possuem atividades em Nova Maringá e São José do Rio Claro, alegam que a crise se agravou a partir de 2020, com o surgimento da doença conhecida como anomalia da soja, que ocasionou a perda de quase 30% da produção naquele ano. 
 
Além disso, nas duas safras seguintes, com a instabilidade do mercado durante a pandemia, e o alto custo de produção, além da escassez de chuva no início da plantação e excesso durante a colheita, houve perda de peso e qualidade da produção. 
 
A quantidade de pedidos de recuperação em Mato Grosso, sobretudo no setor do agronegócio, cresceu exponencialmente em 2023 e, com a quebra de safra já dada como certa de 20% a 30%, para o próximo ano, essa tendência é aumentar. 

A defesa deles afirma que a projeção do lucro da produção, por si só, não permitirá o reequilíbrio natural das dívidas, devendo haver desmobilização para equacionar o passivo com os credores em um ambiente negocial mais equilibrado. 
 
"Atualmente, mesmo com todas as dificuldades no cenário econômico, o Grupo se encontra em plena atividade, com mais de 50 funcionários diretos e inúmeros indiretos, gerando empregos e renda, porém com descasamento entre patrimônio e caixa. O grupo necessita o amparo da Lei de Recuperações Judiciais para se manter no mercado, e alavancar sua atividade novamente dentro de um cenário mais estável e regularizado, equilibrando seu passivo circulante com ativo", ponderou Allison Sousa.  
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