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Sábado, 18 de maio de 2024

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PASSIVO DE R$1,9 MILHÃO

Açougue de carnes nobres em Cuiabá não consegue superar crise econômica e falência é decretada

Foto: Reprodução

Açougue de carnes nobres em Cuiabá não consegue superar crise econômica e falência é decretada
Considerando a crise econômica insuperável, a juíza Anglisey Solivan de Oliveira converteu a recuperação judicial da Casa de Carne Vargas em falência. Decisão foi proferida no último dia 5 e ainda levou em conta o fato que o açougue já estava lacrado e sem indícios de atividade. O estabelecimento estava em processo de reerguimento financeiro desde 2022, por dívidas de quase R$ 2 milhões.


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Segundo publicado nos autos, a casa de carnes possuía mais de R$ 30 mil em dívidas trabalhistas, mais de R$ 60 mil com empresas e R$ 1,8 milhão com bancos e fornecedores. Bradesco, Caixa Econômica, Energisa, BRF e Itaú estão entre os credores do açougue.

No processo de recuperação, o próprio açougue pediu a convolação da falência, sob argumento de que estava impossibilitado de continuar com sua atividade empresarial por conta da retenção de valores em suas contas bancárias, principalmente as realizadas pelo Itaú, o que casou prejuízos inestimáveis “devido à inexistência de dinheiro no caixa para o seu “giro”, especialmente o fornecedor de carnes”, diz trecho do documento.

Examinando o caso, a magistrada entendeu ser necessária a decretação da falência uma vez que a casa de carnes não conseguiria superar a crise econômica que adentrou, além de que o estabelecimento já não mais promove atividades e está lacrado.

“Tal medida se revela necessária ainda, para resguardar a arrecadação dos possíveis ativos e posterior alienação para o pagamento aos credores. No mesmo sentido, é o parecer do Ministério Público que opinou pelo acolhimento do pedido com a imediata lacração do estabelecimento e arrecadação dos bens “para que, tão logo seja possível, os credores tenham seus créditos adimplidos e processo falimentar seja encerrado”, diz outro trecho da decisão.

Diante disso, Anglizey verificou as hipóteses aptas ao requerimento e decretou a falência do açougue. “Por todo o exposto, ante o descumprimento dos requisitos legais, convolo em falência a recuperação judicial da empresa elencada acima”, proferiu.
 
A recuperação judicial
 
Açougue de carnes nobres e “goumet”, a Casa de Carne Vargas começou seus trabalhos em dezembro de 2016, sendo a primeira empreitada da família Vargas no ramo varejista de carne. 

Percebendo que Cuiabá/MT carecia de açougues especializados em cortes especiais, viram ali uma oportunidade de empregar todo o conhecimento em seleção de gado e desossa, aliado ao networking já construído ao longo de décadas com pecuaristas, abatedouros e demais fornecedores da cadeia produtiva, para assim, responder à essa demanda.

O objetivo da família sempre fora transformar a marca “Carnes Vargas” num selo de qualidade na percepção do consumidor. Até o ano de 2018, o açougue trabalhava com novilhas da raça Nelore, muito bem selecionadas.

Diante dos positivos resultados consequentes dos serviços, sempre com espírito empreendedor, os proprietários do açougue buscaram aplicar melhorias para expandir a atuação da casa Vargas.

Aumentou-se, então, o quadro de funcionários, reformas físicas foram feitas e ampliação interna na área dos vestiários fora executada. Além disso, uma nova câmara fria e novos equipamentos entraram no radar para atender a demanda crescente.

Durante os anos de 2018 a 2019, para melhorar a estrutura da empresa, foi emprestado capital junto a instituições financeiras. Paralelo a isso, decidiu-se criar uma nova unidade, numa região distante de onde o empreendimento iniciou. Para tanto, foi alugado um imóvel no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá/MT.

As obras de reforma do imóvel se iniciaram no ano de 2019, com capital próprio e emprestado junto a terceiros. Ocorre que, em poucas semanas de obras, houve vários furtos de materiais de construção de qualidade boa e preço alto, a exemplo de portas, pias, vasos, azulejos, cabos, dentre outros, prejudicando significativamente o andamento da construção, considerando o prejuízo financeiro.

Também houve um embargo por parte do Poder Público, o que também atrasou o seu andamento no início do ano de 2020. A Casa Vargas, porém, foi atingida abruptamente com o início da pandemia da Covid-19, no primeiro trimestre do ano de 2020, entrando num momento bastante desafiador, do qual luta para se recuperar até o presente.

Aliou-se a isso a alta constante do dólar, o preço do gado e dos insumos tiveram um aumento estarrecedor, o que é percebido diariamente por qualquer consumidor, enquanto as vendas diminuíram expressivamente.

Ante esse cenário, a Vargas se viu em apuros para dar conta de pagar tanto seus colaboradores, como fornecedores e instituições, até que começou a “sangrar” e assistiu seu capital de giro se esvair para conseguir manter as portas abertas.

A defesa da Vargas apontou na petição inicial da recuperação que as obrigações com fornecedores e instituições financeiras já não são cumpridas rigorosamente como era há cerca de dois anos. O caixa já não consegue mais suportar os pagamentos sem que haja prejuízo.

O açougue até promoveu renegociações com entidades de crédito e fornecedores, porém não foram suficientes para “dar uma folga” no seu caixa.
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