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Sexta-feira, 24 de maio de 2024

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DEFERIDO PELA JUSTIÇA

Após faturar R$ 1 bi em 2023, grupo do agro em MT entra em recuperação judicial por passivo de R$ 229 milhões

Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Após faturar R$ 1 bi em 2023, grupo do agro em MT entra em recuperação judicial por passivo de R$ 229 milhões
Depois de faturar R$ 1 bilhão em 2023, o Grupo Soami, com sede em Cuiabá, entrou em Recuperação Judicial por dívidas que ultrapassam R$ 229 milhões. A juíza Anglizey Solivan de Oliveira, da 1ª Vara Cível da capital, deferiu o pedido para o início do processo no último dia 7. Com isso, a agroindustrial começa oficialmente sua reestruturação com suspensão de execuções, manutenção de sua função social e a preservação dos empregos dos seus colaboradores.


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O valor total do passivo é de R$ 229.192.288,40. De acordo com a decisão, o Grupo Soami, que passa por uma severa crise econômico-financeira, preencheu todos os requisitos para ingressar e ter sua Recuperação Judicial aceita.

Como administrador judicial, foi nomeada a empresa Brajal Veiga. O próximo passo será a realização de uma Assembleia Geral de Credores, com a negociação entre as partes e a respectiva apresentação do Plano de Recuperação Judicial, cujo prazo é de 60 dias.

Com o deferimento por parte da Justiça, a empresa ficará resguardada durante o chamado Stay Period ou Período de Blindagem, em que ficam suspensas as ações e execuções contra o empreendimento, permitindo a proteção do patrimônio empresarial, a reorganização das finanças e dos negócios, por seis meses.

Histórico da crise

Segundo apontado pelo grupo no pedido inicial, suas atividades empresariais começaram na capital quando o empresário Matheus Felipe Farias de Siqueira adquiriu a Cuiabá Corretora, em 2021 e, em seguida, iniciou negociação para comércio de grãos, comprando a empresa Soami Agroindustrial.

Com vasta experiência no mercado do agro, alavancou os rendimentos da Soami e conseguiu expandir os negócios com quatro filiais nos estados de São Paulo, Paraná, Goiânia e Mato Grosso, cuja sede administrativa é em Cuiabá.

Com a expansão comercial, diversificou sua atuação no mercado e passou a comercializar e industrializar grãos de soja, milho, algodão, estimando faturamento de aproximadamente R$ 1 bilhão em 2023.

Foi aí que a crise começou. Expandida, a Soami foi “vítima” das falhas administrativas e financeiras de seus principais clientes, quais sejam a Prszsienzny Industria e Comércio de Rações Ltda. e Mega Agro Trading S/A, que entraram em recuperação judicial. Soma-se a isso a inadimplência de outros clientes e o encerramento das atividades de um dos principais fornecedores do grupo, que ficou em posse de 12 mil toneladas de sua propriedade.

Fechamento de portos por problemas climáticos ocasionando redirecionamento da carga para regiões diversas resultando na responsabilidade de arcar com prejuízos pelos caminhões parados e com o alto custo do frete de grãos também corroboraram com a crise. Um incêndio ocorrido em 2023 em uma das sedes do grupo também impactou no cenário, gerando prejuízo superior aos R$ 11 milhões.

Dentre outros, esses foram os motivos que levaram o grupo a pedir “socorro” da Justiça Estadual para conseguir se recuperar da crise que se instalou nas suas atividades econômicas e financeiras. Em vista disso e com os requisitos necessários preenchidos, a magistrada concedeu a medida em favor do Soami, em decisão proferida no último dia 7.

“Diante do exposto, com base no disposto no artigo 52, da Lei N.º11.101/2005, Defiro o processamento da presente recuperação judicial ajuizada por Soami Agroindustrial e Cuiabá Corretora que deverão apresentar um único Plano de Recuperação Judicial”, proferiu Anglizey.
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