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Terça-feira, 31 de março de 2020

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Justiça realiza primeira audiência de caso de madrasta acusada de matar enteada envenenada

Da Redação - Vinicius Mendes

27 Fev 2020 - 10:18

Foto: Rogério Florentino / OD / Reprodução

Justiça realiza primeira audiência de caso de madrasta acusada de matar enteada envenenada
A primeira audiência do caso da madrasta Jaira Gonçalves de Arruda, acusada de matar envenenada a enteada Mirela Poliane Chue de Oliveira, de 11 anos, será realizada na tarde desta quinta-feira (27), no Fórum de Cuiabá. Os avós da menina haviam obtido R$ 800 mil para a neta, após uma ação indenizatória na Justiça. A garota foi morta em junho de 2019.
 
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De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a audiência será iniciada às 14h de hoje (27) na 14ª Vara Criminal de Cuiabá. O processo tramita em segredo de Justiça. Nesta primeira audiência o juiz deve começar a ouvir as testemunhas. A Justiça ainda deve decidir se Jaira será pronunciada para que seja julgada pelo Tribunal do Júri.
 
O crime
 
Mirella Poliane morreu em junho do ano passado, de causa inicialmente indeterminada. A criança deu entrada em um hospital privado de Cuiabá, já em óbito, e como o hospital não quis declarar a morte, foi acionada a DHPP para liberação do corpo. Foi solicitada a perícia por precaução, diante da falta de evidência de morte violenta. A princípio houve suspeita de meningite e de abuso sexual, mas o exame de necropsia feito pelo Instituto Médico Legal descartou o abuso.
 
A Politec, então, coletou materiais para exames complementares e, conforme Pesquisa Toxicológica Geral realizada pelo Laboratório Forense, foram detectadas no sangue da vítima duas substâncias, uma delas um veneno que provoca intoxicação crônica ou aguda e a morte.
 
O caso foi então remetido à Deddica, que durante as investigações desvendou o plano de envenenamento em virtude de a criança ter recebido uma indenização em decorrência da morte de sua mãe por erro médico, durante parto dela em um hospital de Cuiabá.
 
A equipe da Deddica concluiu que o crime foi premeditado e praticado em doses diárias, pelo período de dois meses. A indiciada causou a morte da menina usando um veneno de venda proibida no Brasil, e ministrando gota a gota, entre abril e junho de 2019.
 
Motivação
 
As investigações apontaram que a indenização recebida pela criança foi a motivação do plano de envenenamento. A ação indenizatória foi movida pelos avós maternos da criança, que em 2019, após 10 anos de tramitação do processo, ganharam a causa em última instância, com valor de R$ 800 mil, incluindo os descontos de honorários advocatícios.
 
Parte do dinheiro ficaria depositada em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta. A Justiça autorizou que fosse usada uma pequena parte do dinheiro para despesas da criança, mas a maior quantia ficaria em depósito para uso, após atingir a maioridade.
 
Até 2018, Mirella era criada pelos avós paternos. Em 2017, a avó morreu e no ano seguinte (2018) o avô também faleceu, passando a garota a ser criada, naquele mesmo ano, pelo pai e madrasta. Foi neste momento que Jaira iniciou seu plano para matar a criança, com o objetivo de ter acesso ao dinheiro.
 
A mulher, presa no início de setembro, foi ouvida após a morte da menina e contou que convive com o pai da vítima desde que ela tinha dois anos de idade, e que se considerava mãe da criança. Ela declarou que Mirella começou a ficar doente em 17 de abril de 2019, apresentando dor de cabeça, tontura, dor na barriga e vômito.

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