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Domingo, 26 de junho de 2022

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Curso de teatro ajuda advogados a aprimorar atuação

Ator de novelas, como "All My Children" (Todos os meus filhos) e de programas de televisão, como "Unsolved Mysteries" (Mistérios não desvendados), o americano Michael Souveroff desempenhou um dia o papel de jurado, em uma ação criminal. O promotor olhou diretamente em seus olhos, quando mencionou com "voz embargada pela emoção", um fato contundente do caso. Aliás, o promotor olhou diretamente nos olhos de cada jurado, nas alegações finais. O advogado de defesa fez um trabalho competente. Técnico, acima de tudo. Mas, manteve os olhos em suas próprias anotações, na maior parte do tempo. O promotor obteve a condenação do réu. Ele não sabe dizer até que ponto a capacidade dramática do promotor influenciou os jurados, mas de uma coisa ele tinha certeza: "Esse promotor é um dos melhores atores que já vi", disse Souveroff ao The American Lawyer.

Hoje, a principal atividade de Souveroff é ensinar advogados a arte da representação teatral. Ele trabalha com o professor de Direito James Cohen, da Universidade de Fordham, que criou uma oficina de teatro especial para advogados. A oficina se destina a tornar os advogados mais eficientes nos tribunais, em todos os momentos em que se comunicam como uma audiência, sejam jurados, testemunhas ou juízes de um tribunal superior.

"Os advogados têm de preparar argumentos sólidos nos tribunais, seja em ações criminais ou civis. E tem de apresentar esses argumentos de uma maneira persuasiva. Por isso, eles têm de se conectar com a audiência", diz o site da empresa Acting in Law, que também criou uma oficina de teatro especial para advogados.

Aliás, nos últimos anos, cursos de teatro dedicados exclusivamente a advogados têm prosperado nos EUA. O National Institute for Trial Advocacy (Instituto Nacional de Advocacia de Julgamento) está promovendo cursos de teatro, atualmente, na Faculdade de Direito de Nova York. O curso é destinado a jovens advogados, especialmente recém-formados, que desejam atuar em ações civis. O curso usa atores para contracenar com os advogados.

O curso do professor Cohen faz a mesma coisa. "Os advogados me veem com um professor de Direito e não como uma autoridade em representação teatral. Assim não me dão credibilidade", diz. "Por isso uso atores", explica. Os advogados aceitam todas as recomendações dos atores, por mais simples que sejam: um pedido para olhar nos olhos, uma orientação para mudar a entonação nas falas, manter peso igual nas duas pernas, não colocar a mão no bolso, corrigir a respiração, fazer bom uso de gestos, além de dar dicas para demonstrar emoção no momento certo. O melhor do treinamento, no entanto, é aprender a vencer o nervosismo e a timidez.

Em um artigo sobre o tema, o Jornal da ABA (American Bar Association) afirma que "os advogados amam um palco. Afinal, existem muitas similaridades entre um palco do teatro e uma sala de julgamento. "Mesmo que muitos advogados não façam questão de frequentar o teatro, eles gostam do que ele representa: a história, as questões, as palavras, o conflito, a retórica, a liturgia, o drama", diz o artigo.

Os advogados, a sua maneira, são atores e críticos, diretores e dramaturgos, escritores e agentes dos demais atores que participam da representação no tribunal. Muitos advogados adoram esse sentimento de estar na corda bamba, durante um apresentação ao vivo, a adrenalina, a emoção de uma história se desenvolvendo perante uma audiência (todos os que estão atuando no tribunal do júri ou assistindo de seus assentos), afirma o artigo.

De acordo com a publicação Law Practice Management Advisor (Consultor de Gestão da Prática da Advocacia), cursos de artes dramáticas ajudam os advogados a transmitir suas mensagens de uma forma mais eficaz, embora eles estejam fazendo o seu trabalho e não uma representação teatral. Sua função é exatamente ajudar o advogado a fazer melhor o seu trabalho, à medida que ele aprende a usar melhor sua postura, seu olhar e a inflexão de sua voz, para ser o que mais precisa: persuasivo.

"Não queremos ensinar um advogado a representar um pirata na sala de julgamento", diz Souveroff.
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